Bairro com 22 mil casas

Na mesma semana em que o governo derrubou barracos e desabrigou cerca de 400 famílias na invasão Nova Jerusalém, em Ceilândia, foi registrada parte do maior empreendimento de um programa habitacional. O Parque das Bênçãos, situado em uma área de 700 hectares entre Samambaia e Recanto das Emas, é pensado para ter 24.460 unidades habitacionais, que vão abrigar cerca de 90 mil pessoas. A Rodrigolândia — como é chamado pelos integrantes da lista de moradia do DF, em referência ao governador Rodrigo Rollemberg — é a maior iniciativa do Minha Casa, Minha Vida, programa nacional que repassará o dinheiro para o Morar Bem. Em dezembro do ano passado, foi inaugurado área em Manaus, com 5.384 unidades habitacionais, para 21 mil pessoas.

Segundo o presidente da Terracap, Alexandre Navarro, trata-se de um empreendimento de interesse social. “Nós tiramos pessoas de lugares como a invasão próxima ao Sol Nascente (veja Memória) e oferecemos moradia regular e com todas as condições”, afirma. Navarro acrescenta que o setor habitacional vai gerar 8 mil empregos de forma direta e 21 mil indiretamente.

Até o momento, 50% do parcelamento está registrado no 3º Ofício de Registros Imóveis — o que corresponde à moradia de cerca de 45 mil pessoas, aproximadamente. No total, serão quatro trechos: o 1 e o 2 estão aprovados; o 3 e o 4 ainda devem passar pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan), da Secretaria de Gestão de Território e Habitação (Segeth). As residências serão destinadas a famílias que ganham entre um e cinco salários mínimos.

Para o secretário de Gestão de Território e Habitação, Thiago Andrade, as construções ali têm uma função mais ampla que a moradia: a de “interligar” regiões. “Como estratégia de planejamento, Recanto das Emas e Samambaia serão ligadas. Devemos apenas estudar como a mobilidade para fazer a ligação norte e sul: de Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas e Ceilândia até o Gama e a BR-040”, explica. Isso acontecerá com a construção de vias no local. De acordo com a Terracap, o Parque das Bênçãos será cercado e preservará a Área de Preservação Ambiental (APP) que ocupa uma parte do território. 

Enquanto as obras não começam, o chef de cozinha Cristiano Freitas, 36 anos, e a vendedora Noelma Neves, 23, inscritos no Morar Bem desde 2012 e habilitados desde maio de 2014, continuam à espera. O casal de Ceilândia mostra impaciência com o andamento do processo. “O problema é que muda o governo, dá um monte de problemas na área e nós continuamos a esperar”, diz Noelma. “Anunciaram que começariam a construir ainda em 2014, mas até agora não temos nada, não sabemos de nada”, emenda Cristiano. Hoje, o deficit habitacional no DF é de 120 mil residências, segundo a Terracap.

Rusgas

Parte da área onde será erguida a nova cidader abriga 24 chacareiros e a Associação dos Moradores da Vargem das Bênçãos tinha contrato com a Fundação Zoobotânica datado dos primórdios da capital federal — o documento dava a permissão para o grupo residir ali. A advogada dos chacareiros, Elza Zaluski, diz que as ações prejudicariam o meio ambiente. “Eles querem construir uma estrada que ligue a BR-060 ao Recanto das Emas. A via passaria em cima de nascentes”, explica. 

A produtora rural Jeanete Souza, 58 anos, mora no setor há 29. E contesta os projetos aprovados. Ela lembra a crise hídrica que o Brasil vive para criticar as construções. “O governo quer passar uma estrada entre as nascentes e construir uma cidade em um local onde há Área de Preservação Permanente (APP). Tudo isso em meio à crise hídrica que vive o país”, diz.
Como dona do terreno, a Terracap afirma que vai retirar Janete e os outros chacareiros do local. “Você põe 24 chacareiros contra milhares de pessoas. Não tem como o interesse deles prevalecer sobre o dos inscritos no Morar Bem”, diz Júlio César Reis, diretor técnico e de Fiscalização da agência. “Não vamos indenizá-los pela terra, pois é propriedade da Terracap. O que será feito é avaliar as casas que construíram e o trabalho ali feito e pagar uma quantia sobre isso”, conclui.

Fonte: Correio Braziliense
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Por Movimento dos Comunicadores do Brasil

DF 24 Horas

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