Aposentadoria: Planejar é preciso

Quatro em cada dez jovens não se preparam para o futuro


Quarenta por cento dos jovens brasileiros não se preocupam com a aposentadoria. É o que diz pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Os dados apontam que em cada dez jovens, de 18 a 30 anos, quatro não se preparam para o futuro. Neste levantamento foram ouvidos mais de 600 entrevistados em fevereiro de 2017.

Economista do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), Ronalde Lins entende que esse resultado é fruto do desconhecimento dos adolescentes sobre assuntos importantes e essenciais, como o preparo para a terceira idade. “O jovem quando entra no mercado de trabalho não se importa em ter um plano de aposentadoria, seja pela Previdência Social ou previdência privada, pois não existe um tipo de abordagem nas escolas que forneçam orientações, que julgo muito importante”, afirma.

De acordo com a pesquisa, os que não se preparam para a aposentadoria alegam que nunca sobra dinheiro, acreditam ser cedo para pensar nisso ou dizem que não sabem como fazer. “É importante que todos se informem e entendam que o quanto mais cedo iniciarem a contribuição ao INSS, mais próximo estará o momento de se aposentar”, destaca Lins.

A inscrição no INSS só é aceita pela Previdência Social a partir dos 16 anos. Uma exceção é para aqueles que participam do programa de menor aprendiz, que permite aos que têm 14 anos ter registro em carteira.

A estudante Marina Ferreira, 23, relata não confiar que com o plano de aposentadoria do INSS as pessoas consigam manter seus padrões de vida. “Quero além de pagar o INSS, investir nos títulos do Tesouro para a longo prazo ter uma reserva e poder garantir meu descanso antes de completar 74 anos, idade em que vou me aposentar de acordo com as novas regras da reforma da previdência”, declara. Marina pretende iniciar a contribuição com 24 anos, e atribui a questão de não contribuir neste momento à falta de dinheiro e ao desemprego.

Pensando no futuro, Wesley Coutinho, 30, até estava guardando dinheiro em uma poupança, mas teve de mudar os planos. “Devido ao agravamento da crise e à falta de emprego no período, foi necessário o uso das minhas economias”, ressalta Coutinho, que no momento trabalha informalmente (motorista de aplicativo) e compromete 100% da renda com o pagamento de contas.



Viva o presente mas não deixe de pensar no futuro

Previdência Social X Previdência Complementar

O economista Ronalde Lins destaca a importância de entender a diferença de Previdência Social e previdência complementar.

A Previdência Social é o seguro que garante a renda do contribuinte em situações diversas, como doenças, acidentes, gravidez, morte e velhice, e também na aposentadoria. Quem não tem vínculo empregatício pode contribuir de forma autônoma.

Já a previdência complementar, também chamada de previdência privada, surgiu para conceder um valor adicional aos benefícios de aposentadoria pagos pelo INSS. É uma escolha do indivíduo que deseja ampliar suas reservas de forma voluntária. Quem adere escolhe quanto pagar por mês e por quanto tempo.

Carlos Augusto, professor de finanças pessoais, enfatiza a necessidade de contribuir. Ele acredita que a população deve buscar mais informações sobre o controle financeiro. “Para mudar esse cenário precisamos investir mais em educação financeira pois estamos vendo que o Estado não está conseguindo manter suas contas em dia”, explica.

Reforma da previdência

Segundo o economista Ronalde Lins, é preciso pensar na reforma da Previdência Social. A proposta do governo, em tramitação no Congresso Nacional, é estabelecer a idade mínima de 65 anos para obter a aposentadoria e elevar o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos.

Para o economista, o maior problema é o tempo de contribuição, caso a reforma seja aprovada. “Você inicia o investimento e não sabe se irá contar com o recurso da aposentadoria. Com essa nova lei, não dará tempo para muitas pessoas curtirem a velhice, tendo que trabalhar com uma idade já avançada”, declara. Para ele, a medida pode acabar incentivando o trabalho e não a capacitação. Lins afirma que o jovem entrará no mercado mais cedo e pode deixar a escola para o segundo plano. “Temos que incentivar a cultura do estudo, capacitar esses garotos para o mercado”, conclui.

Por Raphael Borges

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