Moradores da Orla do Lago criticam forma da desobstrução da área e denunciam insegurança

A Audiência Pública para debater a ocupação da Orla do Lago Paranoá encheu o auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal, na noite do última segunda-feira (17/04)

Ao final, foi criado um grupo de trabalho para ampliar a discussão de viabilização do Projeto Orla, composto por representantes do governo, parlamentares, técnicos da Casa e representantes da sociedade, coordenado pelo deputado Cristiano Araújo (PSD). A primeira reunião do grupo está marcada para a próxima quinta-feira (20). A proposta é que se crie um plano que atenda os moradores do local, democratize o acesso à população e preserve o meio ambiente.

Confira a reportagem de João Paulo Mariano, para o Jornal de Brasília:

As paredes do auditório da Câmara Legislativa do DF foram preenchidas com cartazes e faixas criticando os atos do governo na audiência pública promovida para debater o projeto Orla Livre, ontem à noite. Em clima de debate tenso, entre as várias reclamações dos participantes estava a queixa de que o GDF não teria ouvido os moradores da área, além de ter feito uma abertura “de qualquer jeito”. Os representantes do governo não concordaram com as acusações.

Vaias e palmas eram respostas de uma plateia formada por moradores dos lagos Sul e Norte e de várias outras regiões do DF, além de integrantes do governo e do Ministério Público. A audiência foi chamada a pedido do deputado Cristiano Araújo (PSD), com o apoio do presidente da Casa, Joe Valle (PDT), como uma forma de discutir a maneira de ocupação da orla, já que, segundo o presidente da CLDF, não se discutiria a decisão judicial. A intenção era receber propostas de todos os lados. Porém, a audiência ficou mais na discussão do que na apresentação de proposições.

O promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural (Prodema), Roberto Carlos Batista, lembrou que o DF teve que cumprir a sentença de desobstrução, pois era réu em ação judicial. O governo foi obrigado a elaborar três planos: um com a desocupação em si, com a explicação das etapas; a recuperação, para que não se deixe nada largado; e a fiscalização, afim de preservar o meio ambiente. Assim, a sentença seria cumprida.



Divergências

Apesar das polêmicas, um dos pontos de convergência era de que a desobstrução, que começou em 2015, foi positiva. Mas, a partir daí, havia desavenças em várias partes. Para o prefeito de quadra do Lago Norte Eduardo Cattete, a desobstrução da orla deveria ter sido precedida por um plano de manejo da Área de Preservação Ambiental (APA) para evitar os problemas vistos após a retirada das estruturas na área de 30 m da água, como pede a decisão judicial.

Cattete reclamou da construção da ciclovia, que, segundo ele, vai impermeabilizar parte de um terreno que deveria ser preservado. “Ouvir (os moradores), estão ouvindo, mas parece que não estão escutando”, afirma. Para ele, o governo joga os brasilienses de outras regiões contra que os têm casas à beira do lago.

O representante dos Amigos do Parque Burle Marx, Paulo Ramos, chamou atenção ao fato de que quando chegou a Brasília, nos anos 1980, se surpreendeu por não poder andar na orla, e que é importante ter a possibilidade de utilizá-la. Ele não concorda com a fala de muitos moradores, de que o governo estaria jogando uns brasilienses contra os outros. Mesmo vaiado, Paulo diz que isso foi uma falácia.

No mesmo tom do presidente da Câmara Legislativa, o líder do governo, Rodrigo Delmasso, afirma que não é contra a desobstrução, mas é preciso dialogar sobre sua forma. “O lago pertence a todos. A quem mora no Sol Nascente e no Itapoã”, conclui.

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