Papa-entulho recolhe mais de 200 toneladas de lixo em 30 dias

Espaço em Ceilândia serve como depósito para resíduos de obras, podas de árvores e móveis velhos; outras unidades serão inauguradas ainda este ano

O Distrito Federal sofre há anos com o descarte incorreto de resíduos sólidos pela falta de locais para receber o lixo. Além dos problemas de saúde, os entulhos podem destruir o meio ambiente. Para tentar amenizar o problema, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) lançou o papa-entulho em Ceilândia, que ao longo dos primeiros 30 dias, já recebeu cerca de 200 toneladas de resíduos, entre restos de construção civil, podas de árvores, móveis e produtos recicláveis. “A gente já notou uma diminuição dos pontos sujos. Inclusive moradores de outras regiões administrativas estão levando resíduos para esse local”, destaca o assessor especial da Diretoria-Geral do SLU, Guilherme de Almeida.

Segundo dados da Agefis, a Capital Federal possui cerca de mil pontos irregulares de lixo, o que provoca a degradação do solo e a poluição de nascentes, como explica o especialista em Educação Ambiental e mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente, Gustavo Souto. “O depósito de resíduos de forma inadequada pode contaminar um córrego, por exemplo, por conter materiais poluentes, como tinta. Isso inviabiliza o local”. O especialista ainda destaca que a população precisa ser educada sobre os riscos do lixo e o governo deve empenhar-se para melhorar o problema. “A gestão do lixo no DF é mal conduzida. Para uma Capital da República, devemos trabalhar para dar o exemplo. São muitas toneladas de lixo por dia”, completa.

O papa-entulho funciona como um local de descarte. Cada morador pode depositar até um metro cúbico de lixo por dia, que equivale a uma caixa de água de mil litros. Os materiais recicláveis são levados para cooperativas de catadores e os móveis, se estiverem em boas condições de uso, são doados a instituições de caridade. O restante é encaminhado para o aterro do Jockey.

Restos de obra são os materiais mais descartados no local.

Os resíduos são colocados em containeres, caçambas ou baias, a fim de evitar o acúmulo e a desorganização do local. Os principais materiais descartados são os restos de construção civil, que são levados em carros pelos moradores ou em cima de carroças, como é o caso do carroceiro Moacir Alexandre Martins que, deixou de descartar na rua os restos de material de onde trabalha. “O papa-entulho é bom, só que um pouco distante. Antes eu descarregava em qualquer lugar que tivesse entulho, agora trago para cá. Eu poderia ter jogado perto de onde moro porque tinha muito lixo, mas eu vim trazer aqui”, conta.

O assistente técnico de SLU de Ceilândia, Altamiro Borges afirma que o local para o depósito de lixo tem um fluxo grande. “As pessoas têm que deixar o endereço de onde vem o lixo para controle. Quando os containeres enchem, o caminhão recolhe e leva para o destino final”, explica. No espaço, trabalha apenas um gari, que mesmo com o grande volume de lixo, afirma que prefere o local. “Aqui o trabalho é melhor, porque não estou arriscando a vida como na rua. Lá, eu posso ser atropelado. O trabalho aqui não é muito para uma pessoa”, destaca.

Além dos moradores de Ceilândia, o papa-entulho é usado por pessoas de vários locais do DF, que preferem fazer o descarte em local correto, como afirma Guilherme de Almeida. “Nós fizemos uma campanha no entorno da região, em um raio de dois quilômetros e meio e a população tem aderido bem a esse projeto. A gente já notou uma diminuição dos pontos sujos e inclusive moradores de outras regiões administrativas estão levando resíduos para esse local em Ceilândia”.

Outras unidades estão sendo construídas, como a Usina de Tratamento de Lixo do P Sul, em Brazlândia, no Gama e no Guará. O projeto prevê mais 60 papa-entulhos no DF. O espaço em Ceilândia funciona de segunda a sábado, das 7 às 18 horas, na Qnn 29, ao lado do Centro Universitário Iesb Oeste.

Por Thayna Cruz
Google Plus

Por Paulo Melo

DF 24 Horas

0 comentários DF24HORAS:

Postar um comentário