Selfies, post, status: vivemos na era da auto exposição

O excesso de exposição nas redes sociais pode causar comportamentos narcisistas

Por dia são postados em todo o mundo mais de 95 milhões de fotos e vídeos apenas no Instagram. O Facebook, por sua vez, conta com mais de 1,6 bilhão de usuários. Mundialmente os internautas dão 4,2 bilhões de “curtidas” diárias apenas no Instagram. Essas redes dependem da interação e auto exposição dos usuários, o que pode gerar comportamentos narcisistas (pessoa apaixonada pela própria imagem).

Com a popularização das redes sociais se expor tornou-se algo natural. “O indivíduo hoje é bombardeado diariamente com mensagens, bips de celular. Isto está afetando a forma que ele percebe o mundo”, diz o sociólogo Marcello Barra. “Isto pode acarretar uma certa dependência do indivíduo da tecnologia”, relata o especialista em Internet da Universidade de Brasília.

Narcisismo vem de Narciso, um personagem da mitologia grega. Ele era incapaz de amar outras pessoas e morreu apaixonado pela própria imagem. A internet pode um ambiente que favorece esse tipo de comportamento. Para a psicóloga Angélica Oliveira, da Universidade de Brasília, o narcisismo que vemos nas redes sociais é diferente do mito grego, que é considerado uma doença, afeta as pessoas que tem “traços de personalidades narcisistas”. “Esse narcisismo está altamente relacionado com a forma que as pessoas tentam apresentar o autoconceito delas para o mundo”, conclui.

Um grande caso de repercussão nas redes sociais foi o do russo Boris Bork. Ele chegou a ter 25 mil seguidores no Instagram fingindo ser um milionário, postando várias fotos de carros, helicópteros e lanchas em seu perfil. Mas nada era o que parecia. Tudo era um experimento onde foi criado um personagem viral na internet.

Este é apenas um caso que mostra que nem tudo que está na rede é verdade. Para Barra, “há uma superexposição do ego”, onde se colocar na rede é uma forma de “se valorizar”. “Essa sociedade que a gente vive tem empurrado as pessoas a se exporem”, afirma.

Vulnerabilidades

O excesso de auto exposição pode prejudicar os internautas em sua vida pessoal e até afetar a segurança. É o que conta Lucio Teles, especialista em redes sociais da Faculdade de Educação (UNB). “Se um internauta usa muito as redes sociais ele tem que se cuidar sobre que tipo de mensagem ele posta sobre si mesmo”. Segundo o especialista muitas empresas usam as redes sociais para selecionar funcionários. Ele alerta que a auto exposição pode trazer riscos, principalmente para crianças. “As crianças ainda têm uma visão muito ingênua da rede social”, diz.

Ana Paula Mocelim,24, estudante, conta que não gosta de postar muitas informações nas redes sociais por motivos de segurança. “É questão de privacidade, para os ladrões não saberem muitas informações da minha vida”. A estudante diz que evita postar várias informações pessoais nos status das redes, como local onde mora e quando pretende viajar. “Fica mais fácil para os ladrões”, destaca a estudante.

A curadora de conteúdo Xenágoras Brasil, 37, conta algumas perguntas que ouve por não postar muitas informações pessoas nas redes. “-Por que não tem nada de você? -Por que não tem sua família? -Tá tudo bem com você e seu marido? Eu não vejo foto de vocês dois na internet”, diz. “Existe quase uma certa cobrança das pessoas, de que você fale de sua vida nas redes sociais”, relata o amigo de Xenágoras, Ravel Luz, 25, fotógrafo e estudante.


Um grande mercado


As redes sociais representam um grande mercado


No mundo digital o excesso de informação gera dinheiro para as empresas de tecnologia. O Facebook por exemplo, anunciou um faturamento de US$ 7 bilhões no último trimestre de 2016. Suas principais fontes de renda vêm da publicidade, gerada a partir de dados fornecidas pelos usuários.

As empresas que anunciam nas redes sociais se baseiam em informações fornecidas por seu público. Quanto mais o usuário posta informações pessoais, mais direcionada a propaganda será. Para Barra as pessoas estão se tornado mercadorias baratas. “Elas estão se apresentando ao mundo como um produto”, diz.

Fotos e texto: Douglas Rodrigues
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Por Paulo Melo

DF 24 Horas

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