Inovar é saber como os outros se comportam

Clarice Garcia conta sobre o mundo da moda e as tendências de comportamento

A coordenadora do curso de design de moda do do Centro Universitário IESB, Clarice Garcia, é formada em arquitetura pela UnB e em agosto de 2018 lançou o livro Color Forecasting: As Previsões e Tendências de Cores na Moda. Hoje, ela busca entender o comportamento das pessoas como método para inovar no trabalho com a moda.

Você é formada em arquitetura. O que a fez escolher a moda como profissão?
Eu sempre quis fazer moda, mas na época eu ainda não tinha muitas possibilidades. Existe uma pressão social sobre escolher moda, então escolhi arquitetura que era algo socialmente aceito, o que eu acho que contribuiu para minha formação, ampliando meu olhar sobre tendências para algo além da moda.

Como você aplica a busca por tendências no trabalho?
É ter o olhar 360 graus, observando muito mais do que as pessoas estão vestindo, e sim o comportamento. É ver as coisas se transformando. E para mim, a moda nada mais é que um reflexo das mudanças de comportamento. Por exemplo, hoje nós vemos os grandes ícones pop do Brasil, Pablo Vittar e Anitta, com um comportamento que acaba por refletir nas mulheres que optam por se apropriar de uma cultura drag e utilizarem de glitter e cílios postiços.

É possível criar tendências na moda?
A moda é tendência. Não que seja algo exatamente novo. Acho que já conseguimos inventar um pouco de tudo. Acho que não tem uma grande revolução, como a entrada da minissaia na moda. Já exploramos bastante o vestuário em termos de forma. Hoje caminho, tendência, está relacionado a materiais, texturas e a tecnologia. Quando a gente fala de tendência, a moda só existe porque ela desperta esse constante desejo de mudança e consumo, caso contrário não seria moda, seria indumentária. A moda ultrapassa a função de apenas cobrir o corpo, vestir alguém. Ela precisa dialogar com a ideia de desejo, consumo e novidade. Então, por exemplo, no momento em que determinada cor sai do mercado e retorna após cinco anos como novidade, ela está ligada a um lógica industrial e produtiva da moda.

O que traz seu mais novo livro, Color Forecasting?
O livro é o resultado do meu mestrado de Design para UnB. A ideia da cor é algo que falta referência e bibliografia, e eu acho que é algo interessante para pesquisa. Ele é voltado para estudantes e profissionais da área, se trata de um conteúdo técnico que fala sobre as metodologias de pesquisa de tendências e depois entra na parte de cor. Por exemplo, porque escolher o verde limão e não o abacate.

Por Rodrigo Alvarenga.
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DF 24 Horas

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